Leanked . Consultoria em Operações

Inovação e Kaizen

Inovação e Kaizen (melhoria contínua) são opostas? Podem ser integradas? Ou é tudo uma questão de perspetiva?

Embora sejam dois temas que surjam normalmente em reuniões estratégicas para tomada de decisões, a verdade é que acabam por ser um pouco paradoxais. Grande parte das empresas e indústrias, existe duas formas de resolver os problemas, seja através de:

  • Inovação tecnológica – em maquinaria e sistemas relacionado a um elevado investimento;
  • Kaizen – bom senso, ferramentas de baixo custo, checklists e cultura organizacional.

A inovação implica destruição criativa: os produtos inovadores destroem ao mesmo tempo que criam. Esses novos produtos destroem velhas técnicas, estruturas e postos de trabalho. Do mesmo modo, são:

  • criadas novas técnicas;
  • definidas novas estruturas;
  • criadas novas oportunidades de emprego.

O progresso é uma consequência deste processo destruidor e criativo.

A destruição criativa acaba por fazer uma seleção natural das empresas, promovendo as que tenham agilidade para acompanhar a mudança. Para uma empresa sobreviver são necessários fatores como a criatividade e a paixão, de forma a despoletar a destruição criativa e a descontinuidade.

Por outro lado, o Kaizen procura, através do envolvimento das pessoas, simplificar processos e atingir níveis excepcionais com os recursos disponíveis.


Um pequeno exemplo:
Uma peça para ser produzida passa por diversos postos de fabrico. No último posto de trabalho é verificada.
Hipoteticamente, caso a peça não esteja conforme na sua origem só será identificada no final do processo produtivo. Iremos trabalhar uma peça que está não conforme alocando custos de transformação, tempo de produção e pessoas.

A solução está em realizar um controlo à entrada e saída de cada posto de fabrico, sendo que se estivesse não conforme deverá ser imediatamente corrigida.


Inovação e Kaizen

inovação e kaizenNa perspectiva Kaizen, a qualidade é responsabilidade de todos e não só de um departamento específico.

Existem empreendedores e consultores de sucesso que defendem uma em prol da outra, por exemplo Vijay Govindarajan: defende que quanto mais a empresa estiver estruturada sob a gestão da qualidade, menor será a presença de inovação, isto porque está completamente regulamentada e definida.

Ou seja, por um lado existe o Kaizen japonês e a sua forma de pensar orientada ao processo. Por outro lado, existe o pensamento ocidental orientado para a inovação e para os resultados.

O ideal é um equilíbrio onde as pessoas sejam inovadoras e criativas, e em simultâneo melhorem continuamente os processos envolvendo-se nos mesmos. É papel das empresas e dos respetivos líderes decidir quando devem utilizar cada uma das abordagens na sua estratégia, tendo em consideração as necessidades do mercado e os limites da sua organização para que possa sobreviver e crescer.

Nils Alves
Consultor Leanked